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DESASTRES NUCLEARES

  Folha da Manhã, Campos dos Goytacazes, 11 de agosto de 2020 Desastres nucleares Edgar Vianna de Andrade             Quando parecia que o perigo das armas nucleares estava afastado, deixando, portanto, de ser uma ameaça à humanidade, ele volta por ocasião dos 75 anos do lançamento de suas bombas atômicas sobre cidades japonesas pelos Estados Unidos, encerrando a Segunda Guerra Mundial e enviando uma mensagem para a União Soviética: cuidado com o tio Sam. Ele pode lançar artefatos como esses sobre vocês, comunistas. Os apelos para que o tratado de não proliferação de armas nucleares contasse com o apoio de todos os países foram renovados na cerimônia. A explosão em Beirute lembrou uma explosão atômica e Noam Chomsky, no seu mais recente livro, adverte que a guerra nuclear continua sendo uma das três ameaças ao planeta, ao lado das mudanças climáticas e da erosão da democracia.        ...

MICRÓBIOS, FICÇÃO E CIÊNCIA

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  Folha da Manhã, Campos, 12 de agosto de 2020 Micróbios, ficção e ciência Arthur Soffiati             Há dez mil anos, os grupos humanos são atacados por microrganismos. As primeiras comunidades que se sedentarizaram graças à agricultura e ao pastoreio passaram a produzir alimentos que eram acumulados antes do consumo e também lixo. Esses estoques atraíam animais hospedeiros de vírus, bactérias e protozoários. Insetos picavam os hospedeiros e picavam os humanos, transmitindo-lhes doenças. Desconhecendo o processo de infecção, as pessoas atribuíam as doenças a fatores sobrenaturais. Registros de epidemias foram encontrados nas primeiras civilizações. A literatura e a pintura também retrataram surtos epidêmicos. Alguns assumiram proporções pandêmicas, como a peste justianiana no Império Romano e a Peste Negra, no século XIV. Como América e Austrália ainda não haviam sido incorporadas ao mundo euroasiático, as epidemias ori...

CIVILIZAÇÃO

  Complexus, 13 de agosto de 2020 Civilização Arthur Soffiati             É sempre difícil definir o momento em que cultura começa a distinguir-se de natureza porque sociedade e cultura precedem os hominídeos. De forma eventual ou sistemática, manifestações protoculturais estão associadas ao chimpanzé, aos macacos japoneses, aos babuínos, ao macaco prego, os cetáceos, ao corvo e até a larvas de insetos da ordem tricóptera. Vamos, então, definir um marco convencional. A distinção clara entre natureza e cultura, nos hominídeos, torna-se patente com a espécie “Homo habilis”, que viveu na África entre 2,2 milhões a 780 mil anos passados. Atribui-se a ele o uso das primeiras ferramentas de pedra lascada. Podemos situar nele o início do paleolítico, que se estendeu até 10 mil anos atrás. Assim, o mais longo e menos conhecido período da história humana durou cerca de 2.190.000 anos. Com o aquecimento climático do Holoceno, algum...

A HUMANIDADE E AS FLORESTAS - II

  Blog de Leonardo Boff, 11/08 – Folha da Manhã, Campos dos Goytacazes, 15 de agosto de 2020 A humanidade e as florestas (II) Arthur Soffiati Quando portugueses e espanhóis chegaram à África e à América respectivamente, no século XV, as florestas temperadas da Europa já estavam muito reduzidas. Elas foram progressivamente abatidas. Na África, a floresta tropical do Congo foi o que restou da grande floresta que cobria o Saara no início do Holoceno. Não houve um desmatamento descomunal que transformou uma grande mata num imenso deserto. Foram as mudanças climáticas naturais. Os povos que viviam na floresta congolesa extraíam recursos dela, mas sem comprometer sua integridade. O mesmo acontecia com a floresta equatorial da Indonésia. Além da floresta e do deserto, havia, no continente africano, extensas savanas e estepes habitadas por uma megafauna, que já era cobiçada pelos navegantes, sobretudo o elefante. No grande continente americano, os europeus encontraram as florestas ...

A HUMANIDADE E AS FLORESTAS (I)

  Folha da Manhã, Campos dos Goytacazes, 08 de agosto de 2020/Blog do Leonardo Boff,   A humanidade e as florestas (I) Arthur Soffiati             Sempre e nunca são palavras que não devem ser usadas pelo historiador. O senso comum acredita que o ser humano sempre foi desmatador, caçador e poluidor. Que faz parte da natureza humana destruir a natureza não-humana. Por outro lado, não é raro ouvir que nunca houve um período em que a humanidade tenha se relacionado de forma equilibrada com a natureza. Associo arbitrariamente a origem da cultura ao Homo habilis, ancestral do Homo sapiens, há 1.400.000 anos passados. Supõe-se que os primeiros hominídeos, grupo zoológico do qual fazemos parte, desceram das árvores e se adaptaram às savanas. Sua economia baseava-se na coleta, caça e pesca. É de se perguntar por que o Homo habilis, o H. erectus, o H. neaderthalensis e H. sapiens desmatariam. Uma que outra árvore podia ser ...

NO TEMPO DA BOMBA ATÔMICA

  Folha da Manhã, Campos dos Goytacazes, 05 de agosto de 2020 No tempo da bomba atômica Edgar Vianna de Andrade             De 1945, quando os Estados Unidos encerraram a Segunda Guerra Mundial com o lançamento de duas bombas atômicas no Japão, até 1991, com o fim da União Soviética, o principal perigo para a humanidade foi uma guerra nuclear ou testes nucleares. Estranhei que o intelectual norte-americano Noam Chomsky tenha listado o aquecimento global, o esgarçamento das democracias e uma nova guerra nuclear como os três principais problemas atuais em “Internacionalismo ou extinção”, seu mais recente livro (São Paulo: Planeta,2020).             Durante 46 anos, uma possível guerra ou um erro nuclear gerou muitos filmes. Os mais conhecidos são “O dia seguinte” (1983), “Missão suicida” (1964), “Herança nuclear” (1977), “Threads” (1984) e “O jogo da guerra” (1965). H...

NOTAS SOBRE O MANGUE-DE-BOTÃO

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  Portal do Farol, 05 de agosto de 2020  Notas sobre o mangue-de-botão Arthur Soffiati 1- No monumental e antigo “Dicionário das plantas úteis do Brasil”, Manuel Pio Corrêa coloca o mangue-de-botão ao lado de “Bucida buceres”, com o nome cientifico de “Conocarpus erecta”. Hoje, é “Conocapus erectus”. A descrição da espécie, no dicionário, é a seguinte: “Árvore ou arbusto de ramos angulosos ou estreitamente alados e com a casca vermelho-escura, muito fendida e revestida de epiderme preta, fácil de desprender-se; folhas pecioladas, de 3-8 cm de comprimento e 10-28 mm de largura, lanceoladas ou elíticas, com ápice agudo ou por vezes arredondado, estreitadas na base, membranosas, glabras ou quase; estames e estilos exsertos; capítulos frutíferos 8-15 cm, os frutos drupáceos de 8-15 cm. Das Guianas até São Paulo. Fornece madeira pesada, de tecido e cor amarelada, com veias róseo-pardacentas, que se tornam amarelo-claras quando secas, que serve para caibros, moirões, lenha e car...